Se a Overnight era o templo da dance music na Zona Leste, o Rose Bom Bom foi o epicentro da transgressão e do Rock Brasil na região dos Jardins. Situado na Rua Oscar Freire, o clube não foi apenas uma casa de shows; foi o tubo de ensaio onde a identidade urbana de São Paulo nos anos 80 foi forjada.

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Rose Bom Bom: O Berço do Pós-Punk Paulistano

Inaugurado no início da década de 80 por figuras icônicas como Ângela e Ciro Barcelos (do grupo Dzi Croquettes), o Rose Bom Bom quebrou a barreira entre o glamour da Oscar Freire e a crueza do rock underground. Era um espaço pequeno, escuro e extremamente influente.

A Estética "Dark" e New Wave

Diferente das grandes discotecas espelhadas, o Rose tinha uma atmosfera mais intimista e vanguardista. Foi ali que a subcultura "dark" (como eram chamados os góticos na época) e os fãs de New Wave encontraram um refúgio. O visual era composto por delineador carregado, cabelos desfiados e muito couro, inspirados por bandas como The Cure e Siouxsie and the Banshees.

O Palco das Revelações

O Rose Bom Bom funcionava como uma espécie de "selo de aprovação". Se uma banda conseguia tocar e agradar o público fiel da casa, ela estava pronta para o Brasil.

  • Legião Urbana: Fizera ali alguns de seus primeiros e mais lendários shows em solo paulistano.

  • Titãs: Antes de lotarem estádios, os "Titãs do Iê-Iê" batiam cartão no palco do Rose.

  • IRA!: A banda de Nasi e Edgard Scandurra era praticamente a "banda da casa", representando o som mod/punk da cidade.

  • Capital Inicial e Ultraje a Rigor: Outros gigantes que usaram o pequeno palco para testar hits que virariam hinos nacionais.

Personagens e Frequentadores

A fauna do Rose Bom Bom era um capítulo à parte. Misturavam-se artistas, modelos, punks de butique e intelectuais. Era comum ver Cazuza ou Arrigo Barnabé circulando pelo bar.

A casa era famosa por suas "matinês" e pelas noites que esticavam até o amanhecer, servindo como o ponto de partida para quem depois migraria para o Madame Satã.

Com a profissionalização do mercado de shows e o surgimento de casas maiores como o Projeto SP e o Aeroanta, o Rose Bom Bom acabou perdendo seu posto de vitrine principal no final da década de 80.

No entanto, sua importância histórica é imensurável: ele foi o filtro que separou o pop descartável do rock nacional que tinha algo a dizer.

Curiosidade: O nome "Rose Bom Bom" foi inspirado em um personagem de Ciro Barcelos, trazendo um toque de teatralidade que era a marca registrada de seus fundadores.
 

O Rose Bom Bom não era apenas sobre música; era sobre a liberdade de uma juventude que acabava de sair de um período político cinzento e queria pintar a cidade de neon e preto.